Utiliza durante troubleshooting controlado. Regista primeiro o estado atual e garante que sabes como parar ou reverter a operação.
FortiGate · FortiOS · 7.4
Quando utilizar este conteúdo
Utiliza este workflow quando FortiGate está acessível ou parcialmente operacional, mas o serviço ou tráfego esperado não se comporta corretamente.
Problema
Um túnel IPsec aparece up/established, mas os hosts não conseguem chegar à subnet remota ou aplicação esperada através dele.
É uma situação comum porque uma IKE/IPsec security association estabelecida prova que a negociação do túnel foi concluída; não prova que routing, Phase 2 selectors, firewall policy, NAT, return routing ou o endpoint remoto estejam corretos para um fluxo específico.
Objetivo
Identificar a fase exata onde o tráfego pára.
A ordem de troubleshooting deve responder a estas perguntas:
- A Phase 2 security association esperada está up?
- O FortiGate tem a rota correta para a rede remota?
- O tráfego chega efetivamente ao FortiGate?
- O tráfego corresponde à firewall policy correta?
- NAT está desativado ou configurado intencionalmente para o fluxo VPN?
- Os Phase 2 selectors incluem a origem e o destino testados?
- O pacote sai através do túnel IPsec?
- Existe return traffic?
- O host/serviço de destino está acessível?
Cenário de exemplo
Site A LAN: 10.1.10.0/24
Site B LAN: 10.2.20.0/24
Test source: 10.1.10.20
Test destination: 10.2.20.10
VPN interface: IPSEC-SITE-B
Substitui todos os valores pelos do ambiente real antes de executar comandos.
Step 1 - Confirmar o estado do túnel e da Phase 2
Começa por:
diagnose vpn tunnel list
Em sistemas com muitos túneis, filtra pelo nome quando suportado:
diagnose vpn tunnel list name IPSEC-SITE-B
Procura:
- O nome de túnel esperado
- Uma security association instalada
- A informação de proxy ID / selector esperada
- Contadores de pacotes (
rx/tx) quando disponíveis
O output do túnel da Fortinet inclui contadores e informação de selector/security association que ajudam a perceber se os pacotes estão a ser encriptados ou desencriptados.
Interpretação
O túnel não está established
Isto não é um problema de "up but no traffic". Passa para troubleshooting de negociação de Phase 1 / Phase 2.
O túnel está up, mas os contadores permanecem a zero
Gera tráfego de teste controlado e volta a verificar.
Se os contadores não se alterarem, o tráfego pode nem estar a chegar ao túnel. Continua com routing, packet capture e verificação de policies.
TX aumenta mas RX não
O FortiGate local está a enviar tráfego encriptado, mas não observa return traffic correspondente.
Investiga:
- Remote firewall policy
- Remote route de retorno para a rede de origem
- Remote selectors
- Host/serviço de destino
- Upstream filtering
Step 2 - Confirmar a rota
Executa:
get router info routing-table all
Encontra a rota que deve corresponder ao destino remoto.
Para o destino de exemplo 10.2.20.10, confirma que a rota mais específica aponta para a interface/túnel IPsec pretendido.
Verificação crítica: rotas sobrepostas
Não procures apenas a rota /24 esperada.
Uma rota mais específica, como:
10.2.20.0/26
terá precedência para destinos entre 10.2.20.0 e 10.2.20.63, mesmo que uma rota /24 mais ampla aponte para a VPN.
Isto pode originar sintomas em que alguns endereços da rede remota funcionam e outros não.
Step 3 - Confirmar que o tráfego chega ao FortiGate
Utiliza um packet capture restrito:
diagnose sniffer packet any 'host 10.1.10.20 and host 10.2.20.10' 4 0 l
Gera o tráfego que está a falhar.
Interpretação
Não aparece nada
O tráfego não está a chegar a este FortiGate, ou o filtro/teste está incorreto.
Investiga o source endpoint, VLAN, default gateway, switching local ou outro equipamento a montante.
O tráfego entra na interface LAN mas não aparece no túnel
Continua com debug flow. As áreas mais prováveis são routing, firewall policy, policy routing, selectors ou lógica de NAT/configuração.
O tráfego entra e é visto a sair pelo túnel
O FortiGate está a encaminhar o tráfego para a VPN. Procura agora o sentido de retorno.
O tráfego regressa pelo túnel mas não chega ao host de origem
Investiga reverse firewall policy, routing, session state, caminho do endpoint ou rede local.
Step 4 - Utilizar debug flow para a decisão de policy/routing
Limpa o estado existente:
diagnose debug reset
Aplica filtros precisos:
diagnose debug flow filter saddr 10.1.10.20
diagnose debug flow filter daddr 10.2.20.10
Opcionalmente adiciona filtros de protocolo/porta.
Ativa function names e limita o trace:
diagnose debug flow show function-name enable
diagnose debug flow trace start 100
diagnose debug enable
Gera o tráfego de teste.
Depois pára:
diagnose debug flow trace stop
diagnose debug disable
diagnose debug reset
O que procurar
- Interface de entrada correta
- Route / tunnel selection correto
- Firewall policy ID
- Resultado accept ou deny
- NAT inesperado
- Session handling
- Motivo explícito de drop
Step 5 - Validar firewall policies
Numa VPN site-to-site baseada em interface, confirma que existe uma policy apropriada para a direção necessária.
Fluxo típico de Site A para Site B:
Source interface: LAN / VLAN
Destination interface: IPSEC-SITE-B
Source: required local subnet/object
Destination: required remote subnet/object
Service: required service(s)
Action: ACCEPT
NAT: normally disabled for traditional site-to-site private-network traffic
O desenho exato pode variar. NAT pode ser intencional em algumas arquiteturas VPN, por isso trata "NAT disabled" como uma expectativa comum de desenho e não como regra universal.
Se for necessária iniciação bidirecional, valida também a policy para o sentido inverso.
Step 6 - Validar Phase 2 selectors
A Fortinet documenta os Phase 2 quick mode selectors como os address ranges permitidos para negociação/security associations IPsec.
Confirma que os endereços testados estão incluídos nos local e remote selectors configurados em ambos os peers.
Por exemplo:
Local: 10.1.10.0/24
Remote: 10.2.20.0/24
Se o peer remoto for uma firewall de terceiros, os requisitos dos selectors podem ser mais restritos e têm de corresponder à configuração desse peer.
Um túnel pode aparecer established enquanto o tráfego específico testado está fora do selector pair utilizável.
Step 7 - Verificar NAT
SNAT inesperado é uma causa frequente de mismatch numa VPN.
Utiliza debug flow para confirmar se a origem está a ser traduzida.
Numa policy site-to-site convencional entre subnets privadas, NAT está normalmente desativado para que o peer remoto receba o endereço de origem original.
Se NAT for intencional, confirma que:
- A origem traduzida está incluída no desenho da VPN.
- O lado remoto tem routes/selectors/policies para a rede traduzida.
Step 8 - Confirmar a return route no lado remoto
Um caminho de pacotes num só sentido não é suficiente.
O equipamento remoto e a rede de destino têm de saber como devolver tráfego para a subnet de origem original.
Se o Site A enviar:
10.1.10.20 -> 10.2.20.10
o Site B precisa de um caminho válido de regresso para:
10.1.10.0/24
através da VPN.
Uma return route em falta produz frequentemente uma configuração local do FortiGate aparentemente saudável, mas sem resposta da aplicação.
Step 9 - Testar a partir do FortiGate com cuidado
Podes executar um ping controlado com um endereço de origem que represente a rede protegida local:
execute ping-options source 10.1.10.1
execute ping 10.2.20.10
Tem cuidado na interpretação: tráfego originado pelo FortiGate é local-out traffic e não prova que tráfego de cliente encaminhado utilize o mesmo caminho de policy.
Utiliza packet capture e testes gerados por clientes para a validação final.
Step 10 - Validar o serviço de destino
Se os pacotes atravessarem a VPN nos dois sentidos, sai do âmbito da VPN.
Verifica:
- O host de destino está online?
- A firewall local permite o tráfego?
- A aplicação está em listening no IP e porta esperados?
- O default gateway do servidor está correto?
- A aplicação tem o seu próprio access control?
Um túnel IPsec funcional não resolve uma aplicação que não está em listening.
Decision tree
IPsec shown as up
|
v
Phase 2 / SA installed?
| |
No Yes
| |
VPN negotiation |
troubleshooting v
Correct route?
| |
No Yes
| |
Fix route v
Traffic reaches FGT?
| |
No Yes
| |
Source/L2 path v
Correct policy/decision?
| |
No Yes
| |
Fix policy v
Seen on IPsec tunnel?
| |
No Yes
| |
Selectors/NAT/ v
route/debug Return traffic?
| |
No Yes
| |
Remote side v
/ return path Host/application
Evidência a recolher antes de alterar configuração
Regista o seguinte antes de fazer alterações:
Source IP:
Destination IP:
Protocol/port:
Tunnel name:
Phase 1 status:
Phase 2 status:
TX/RX counters before test:
TX/RX counters after test:
Selected route:
Firewall policy ID:
NAT observed:
Packet sniffer result:
Debug-flow result:
Remote-side result:
Isto torna o troubleshooting reproduzível e reduz alterações de configuração baseadas em suposições.
Root causes comuns
- Route em falta ou incorreta
- Rota sobreposta mais específica
- Firewall policy em falta
- Policy order incorreta
- NAT inesperado
- Phase 2 selector mismatch
- Source/destination object incorreto
- Remote firewall policy
- Remote return route em falta
- Host firewall
- Serviço sem listening
- Teste com endereço de origem incorreto
- Sessão com hardware offload a ocultar output esperado do debug flow
Riscos e rollback
A maioria dos comandos deste runbook são diagnósticos read-only.
diagnose debug flow pode gerar muito output e deve ser sempre filtrado e parado após o teste.
Não faças reset, flush, bring down ou delete de VPN security associations apenas porque o túnel não está a passar tráfego. Essas ações afetam conectividade ativa e só devem ser utilizadas quando a evidência o justificar especificamente.
Artigos relacionados
- FortiGate
diagnose vpn tunnel - FortiGate debug flow
- FortiGate packet sniffer
- FortiGate routing table
- FortiGate execute ping
Fontes
Consulta as referências oficiais da Fortinet indicadas nos metadados do artigo.
Este artigo faz parte de um percurso
Knowledge graph
Relações editoriais explícitas entre pré-requisitos, comandos, troubleshooting, Labs e próximos passos.
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